Como precificar a hora da sua quadra
Preço único para o dia inteiro é dinheiro deixado na mesa nas duas pontas. Um método em quatro passos para montar faixas, sem chutar e sem copiar o vizinho.
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A maioria das quadras cobra o mesmo valor às 20h de terça e às 10h de quarta. É compreensível — é mais simples de explicar e de administrar. Mas são dois produtos diferentes: um é disputado por três times e o outro está vazio.
Preço único erra nas duas pontas ao mesmo tempo: é barato demais para o horário que já lota e caro demais para o que ninguém quer.
Passo 1 — separe as faixas pelo que elas são
Antes de qualquer número, classifique cada faixa da sua semana em três grupos, olhando o histórico real e não a impressão:
- Faixa cheia — vende sozinha, às vezes falta horário. Normalmente o começo da noite nos dias de semana e a manhã de sábado.
- Faixa média — vende com algum esforço, e sobra pouco.
- Faixa fraca — fica vazia com frequência. Horário comercial, fim de domingo, começo da manhã.
Passo 2 — ancore no horário cheio, não na média
O preço da faixa cheia é o seu preço de referência, e o teste dele é direto: se ela está lotando toda semana com folga, ele está abaixo do que o mercado paga. Faixa cheia que nunca sobra horário é sinal de preço baixo, não de sucesso.
Passo 3 — a faixa fraca precisa de motivo, não só de desconto
Baixar o preço da terça de manhã sem mais nada raramente resolve, porque o problema dela quase nunca é preço — é que as pessoas que poderiam jogar naquele horário não estão pensando em jogar. O desconto funciona quando chega junto de um motivo: uma faixa nomeada, uma condição para grupo, um convite para um público que tem a manhã livre.
E o desconto precisa ser cirúrgico. Se ele vazar para o sábado, você trocou margem por nada.
Passo 4 — reveja com dado, não com sensação
Depois de dois meses, olhe o relatório do período por faixa. Duas descobertas são comuns e quase sempre surpreendem: uma faixa que parecia fraca sustenta boa parte do faturamento porque nunca cancela, e uma faixa que parecia forte dá muito trabalho para o que rende.
O que não fazer
- Copiar o preço do vizinho sem considerar estrutura, iluminação, cobertura e estacionamento — que são justamente os filtros pelos quais as pessoas comparam.
- Mudar preço toda semana. Cliente fixo precisa conseguir prever quanto vai pagar.
- Manter preço promocional permanente: ele deixa de ser promoção e vira o preço.